
Projeto
Desenvolvimento de artefatos materiais e simbólicos para conservação biocultural em múltipla escala na América Latina: um estudo sobre metodologias participativas, memórias e subjetividades frente a problemas socioambientais no Brasil e no Chile
2024-2027
Fundamentada nas discussões ontológicas da Ética Biocultural, a presente proposta relaciona os conceitos de artefato e memória biocultural, para aproximar-se da dimensão intercultural e inter espécie em territórios rurais e suas questões socioambientais. Elegemos o dialogismo e a psicologia histórico-cultural, como abordagem teórico-metodológica na educação, para explicar o jogo discursivo responsável nos processos autorais de desenvolvimento e uso de artefatos; e compreender suas relações com processos educativos para a conservação biocultural em duas regiões latino americanas, com particularidades ecológicas distintas: a região nordeste do Brasil, Zona da Mata pernambucana e a região da Araucanía do Chile. Trata-se de uma pesquisa-ação cujo objetivo é compreender o jogo de vozes sociais presentes nos enunciados que emergem no cotidiano dos sujeitos nessas regiões e suas relações com uma metodologia específica de desenvolvimento de artefatos educacionais em atividades escolares. Procuramos aperfeiçoar duas práticas sociais como propostas educativas (Desenvolvimento Educacional de Multimídias Sustentáveis - DEMULTS e Filosofia Ambiental do Campo - FILAC) desde os conhecimentos tradicionais presentes em ambas as regiões, realçando as especificidades bioculturais dos territórios em que são vivenciadas. Um mapeamento etnográfico inicial em cada contexto prático permitiu identificar aspectos das localidades potentes para ajustes e implementação de ambas as metodologias, fortalecendo seus modelos participativos dialógicos. Utilizamos recursos da observação participante, videografia, questionários e entrevistas, em que se focalizam aspectos enunciativos interacionais em dois momentos relacionados: i) interações de sujeitos nos territórios e usos de artefatos em seus cotidianos; ii) interações entre professores e outros sujeitos participantes durante o desenvolvimento de artefatos nos processos interacionais das metodologias conjugadas - DEMULTS e FILAC. A unidade de análise centra-se nas marcas dialógicas de alteridade ligadas aos conhecimentos tradicionais, de modo que seja possível evidenciar processos que promovem relações harmoniosas com a natureza ou distanciamentos que culminam com a extinção da experiência nos territórios, acelerando a homogeneização biocultural. Assim, vislumbramos uma interface possível entre uma diversidade étnica correspondente a ambos os países e suas práticas sociais desde conhecimentos de povos originários e camponeses, em suas relações com a natureza, e as metodologias em foco, para que possam se vincular ao resgate da memória biocultural. Consideramos que este resgate é condição fundamental ao processo de conservação biocultural em múltipla escala. Como ferramenta-resultado, a abordagem da Análise Dialógica do Discurso será aprimorada em integração a parâmetros da Ética Biocultural, para contemplar aspectos intersubjetivos, inter-etnicos e corporificados de nossas relações interculturais e inter-espécies. Como principal resultado, estabeleceremos diretrizes para aplicação das metodologias em foco, que integrem povos originários ao processo de desenvolvimento-uso de artefatos materiais e simbólicos, tornando-as escalonáveis a outros territórios latino-americanos, para soluções de problemáticas ambientais.
Palavras-chaves: memória biocultural, ética biocultural, interculturalidade, dialogismo, pensamento computacional, ecoturismo
FINANCIAMENTO: CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico / Ação: Projeto em cooperação com comprovada articulação internacionalDepois d
Integrantes:
Flávia Mendes de Andrade e Peres (Coordenadora) - Dyego Carlos Sales de Morais - Taciana Pontual da Rocha Falcão - Rozelma Soares de França - Niceia Andrade da Silva - Renata Carvalho da Silva

